Dia desses, terminei de ler "Travesti - Prostituição, Sexo, Gênero e Cultura no Brasil". O livro, escrito pelo antropólogo sueco Don Kulick, vai a fundo na vida das travestis de Salvador, mas que poderiam ser de qualquer parte do Brasil. Pra mim, ele ainda tem um sabor diferente, já que convivemos quase que diariamente com essas personalidades da noite, pois moramos ali perto do seu ponto de prostituição. Embora possa parecer que moramos numa zona violenta e com usuários de droga, isso não poderia ser mais errado. Talvez por medo ou por algum outro motivo que desconheça, assaltos e mortes não ocorrem por ali. Elas jamais deixariam que o seu local de trabalho virasse uma cracolândia, tá pensando que travesti é bagunça?
A sexualidade da travesti é muito complexa, pois elas não se consideram mulheres ou muito menos desejam ser. Elas por exemplo, jamais tirariam o órgão que Deus lhes deu e que lhes proporcionam prazer. Diferente das transsex que pensam ser mulheres num corpo de homem, as travestis, jamais multilariam seu corpo, pois consideram uma ofensa ao criador. Afinal, se Deus as fez assim, porque modificar? Daí, você se pergunta, o porquê do silicone, do cabelo e dos trejeitos femininos? Para as travestis, elas apenas melhoram o que já possuem.
É interessante saber sobre seus namorados e sobre como esses, passam a ser motivos de chacotas a partir do momento que decidem ser passivos para suas "companheiras". Nesse caso, ou esse macho já era homossexual e estava apenas esperando o momento para demonstrar seu gosto por paus, ou ele sentindo que a travesti já está de namoro com outro homem, sabe que a mamata da "boa vida" pode estar chegando ao fim e resolve dar algo que ela ainda não teve, seu rabo. E no começo pode até funcionar para esse relacionamento, mas é algo fadado ao fracasso, já que elas preferem homens que as fazem senti-las mulheres e isso não envolve os seus pênis. Para elas, gozar, somente com os clientes e em casa, o prazer seria apenas do seu homem. Don Kulick consegue o que poucos não conseguiram, se aproximar e colher cada partícula da vida dessas pessoas que sofrem desde pequenos com suas famílias até o fim de sua existência. É um livro que as vezes te faz rir, mas que principalmente, te faz pensar sobre como a gente reclama das nossas vidas sem motivos.

13 comentários:
Putz, acabo de mandar um email cheio de mimimi pra alguém. Mas tenho desculpa, não li esse seu livro.
interessante ... fiquei curioso para conhecer melhor este universo ...
pois é, vamos parar de preconceitos e se informar melhor não é?
sobre seu comentário no meu blog, vou então fazer alguns posts recolhendo meus desenhos lá no tumblr pra vc poder ver.
Esse mundo das travestis é realmente interessantíssimo
Agora queria saber porque vejo muita coisa sobre as travestis de Salvador e mal sei sobre as de SP e etc.....
bjs
isso é uma indireta?
já falei, eu não vou operar!
Eu li um livor sobre travestis que é a dissertação de mestrado de um professor meu sobre as travestias da Lapa, aqui no Rio, nos anos 90. Muito bom! Você acaba se apegando às "personagens" e quase morre junto ao saber que todas as retratadas no livro acabaram morrendo pela AIDS...
Triste vida
Bj
Rafa FDP. Passa meses "fora" e quando volta é pra soltar spoiler??
Ah, ele tá falando de outro livro. Desculpaê!! :-)
Um universo bem triste e ainda cercado de muitos mistérios.
Abraços queridooo.
achei foda o livro mas tem um outro que é mesmo sobre as travas de sp....
infelizmente, nós mesmos as afastamos e não queremos ter como parte do grupo...
Tenho mesmo uma curiosidade sobre a vida (e o universo) dos travestis.
Sobre seu cotidiano mesmo, como vivem... acho que se achar esse livro vou comprar.
Elas querem um homem que as aceite com pau, mas que não tenha interesse por paus,ora senão tivessem interesse por paus procurariam, uma operada ou uma mulher.Complexidades da vida.
E ainda fazem chacota de tais homens, para depois reclamar de preconceito.Não tenho compaixão, não acho que ter sido feito de chacota a vida inteira, dá o direito de fazer ninguém de chacota.Se fazem isso é porque não aprenderam nada que valha à pena com o sofrimento.
Bom, agora me caiu os butiá do bolso...
fiquei pensando, o livro me chamou a atenção, gostei do seu texto, me atiçou a curiosidade.
Té mais.
@GuriEntreGurias
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