Final de semana vou aos meus pais. É sempre um problema quando eu vou aos meus pais. Não pela minha mãe. Minha relação melhorou muito com ela. O problema, claro, ainda continua sendo meu pai. Ficar com ele num ambiente me faz voltar à época em que era um garoto e toda vez que ele aparecia, eu queria fugir para o meu quarto. Nunca consegui esquecer da forma como ele tentou me criar. Claro, ele me deu de tudo e ainda mais um pouco...mas quantas ofensas ouvi, quantas pancadas recebi e numa conversa que tive há um ano com minha irmã e minha mãe, elas simplesmente me perguntaram quando é que eu apanhei tanto? WTF? Vocês por acaso viveram na mesma casa que eu? Será que elas nunca perceberam o medo com o qual eu cresci? Deus, eu não conseguia ficar ao lado do homem mesmo com quase 30 anos nas costas.
Hoje, sei que ele se tornou outra pessoa. Meu irmão, que é quase 10 anos mais novo, teve uma outra criação. Ele foi seu grande amigo. Ele o levava para jogar bola, para o trabalho, para o bar, para o caminhão, para os carros, para o estádio, para os abraços e para o orgulho. Enquanto eu fui para longe me descobrir. Engraçado que para a gente se encontrar, precisamos fugir de tudo o que conhecemos. Reaprender a falar, se comunicar, caçar sozinho...
As vezes me sinto numa graphic novel de famílias disfuncionais. Quero só chegar na última página que mostra o personagem principal com seu sorriso honesto mas que expressa sua luta pela continuidade da sua vida. E daí, eu simplesmente a fecho e guardo na lembrança.
Se as coisas fôssem fáceis como nos gibis...

12 comentários:
nossa, o fim desse texto descreveu exatamente o q eu estou passando ultimamente...
Esses fantasmas familiares são sempre os piores x.x
Força na visita o/
é a vida querido ... enquanto não chegar o seu momento de por tudo em pratos limpos com ele [no bom sentido] vc terá q conviver com a angústia ...
bjão e q tudo fique bem ...
O conhecer o outro e o conviver são artes difíceis mas quando bem utilizadas são tão benéficas. O entendimento da vida só chega depois de muita dor e amadurecimento. Abraços queridooo.
Sabe que tem hora que a gente tem de decidir quem o louco na história! Caso contrário o nosso senso de realidade começa a ficar muito nebuloso!
Eu daria um palpite que a sua familia tem uma percepção um tanto estranha da sua vida!
Beijos
Querido. Mas dê uma chance ao pai que ele é hoje, não ao pai que ele foi.
Nem me fala Wans. Esse fim de semana que passou ouvi uma conversa do meu pai com um amigo dele que eu tremi na base só de escutar. Algo a ver com as atribuições de homem. Me fez perceber que o bicho realmente ainda vai pegar MUITO por aqui. Sorte pra gente. Beijo.
Tive sorte de crescer numa família que não tem problemas com isso mas isso só faz com que eu tenha imaginações do que seja crescer em um ambiente desse.
O que eu posso dizer é que a vida é sua e, como minha mãe disse "não deixe que ninguém tenha nada a ver com ela"
Boa sorte, beijo e vou visitar mais vezes aqui!
;)
Espero que desta vez seja diferente. Talvez melhor. Beijo e boa sorte!
Boa sorte, aproveite o lado bom: curta tua mãe e a parte legal da família.
Oi...sempre leio teu blog e de teu companheiro..aprendi sobre mtos cantores e seriados através de vcs.Dê um puxão de oelha no teu companheiro, pois ele tá postando mto poko..brincadeira...ele deve esta sem tempo..coisas da vida..nunca tinha tido coragem de escreve pra vc, com essa cara de bravo....gostaria de algum dia ter a oportunidade de conhecê-los pessoalmente....Tb me sinto um estranho no ninh oàs vezes..lembro
de um texto que li há alguns anos atrás, que dizia isso msm, que é comum entre nós, gays, nos sentirmos à parte...um forte abraço e tenha um ótimo fim de semana.
Infelizmente elas não são fáceis...
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