11/10/2011

A Madâme de todos os góticos.

 
A boa notícia da semana passada foi a de que o lendário clube oitentista Madâme Satã será reaberto. A casa, que serviu de palco para shows e espaço underground para se dançar, foi fechado pelo CONTRU há alguns anos. Pelo que andam especulando, os novos responsáveis pelo lugar serão os mesmos que cuidam da noite indie paulistana: o DJ Club. Mesmo sabendo que não seria a mesma coisa e que os frequentadores também não seriam os mesmos, adoraria poder voltar ao local onde curti muita música boa com meus amigos e minha inseparável Alessandra. O Madâme Satã, era o tipo de balada que o povo ía para curtir e rever os amigos. O vinho (suave?) todos sabiam, era batizado, o banheiro tosquíssimo, a iluminação feita através de velas e ainda possuia uma jukebox onde as mesmas músicas eram tocadas over and over. As paredes negras davam um charme, afinal, era uma casa "gótica" e a pista de dança, ficava literalmente no porão do casarão. Porém, mesmo com alguns desses problemas, lá era o único local que eu ía para agitar X Mal, Cocteau Twins, Dead Can Dance, Bauhaus, David Bowie, Bel Canto  e o que de mais legal existia no cenário musical dos anos 80 e 90.
Essa foi uma época em que a dúvida sobre minha sexualidade já não existia mais e uma época em que ser gay, pelo menos pra mim, era tão libertador quanto as letras das músicas escritas pelos meus ídolos.
 

12 comentários:

FOXX disse...

ah vontade de morar em são paulo...

Jack disse...

post lindo.

Gato Van de Kamp disse...

ah vontade de morar em são paulo... {2}

E o que se tornou "ser gay", né????

Já fomos alternativos, um meio em que a libertinagem vista se convertia em liberdade... Abria-se então para todas as tribos... Nakela época que ser gay meio que era ser sinônimo de ser intelectual...

E agora se tornou essa coisa segregada, fútil e moralmente violenta com a diferença... Violenta até com as nossas diferenças...

Uma lástima...

DPNN disse...

Eu frequentei muito o Madame em várias de suas fases (Madame Satã, The The, Morcegóvia...), até dei som algumas vezes graças aos amigos da cena gótica. Bons tempos aqueles. Há músicas que me remetem diretamente para aquele porão, como "Deja vu" do Poesie Noire, ou "Breaking Down" do Trisomie 21... é só ouvir e voltar no tempo!

Li essa notícia da volta e fiquei meio cabreiro, não sei se voltaria, prefiro ficar com as lembranças.

Serginho Tavares disse...

post lindo (2)
assim como você meu amigo

Fred disse...

Disse pouco e disse tudo! Achei ótimo. E Wans, amore, QUEM PRECISA DE FÍGADO!?? Bora beber, nzé? Bjz!

Edilson Cravo disse...

Já ouvi falar do lugar mas tenho impressão que não curtiria o estilo...rs.
Obs: Confesso que tô morrendo de medo de sair em sp (pra balada) por conta das recentes agressões que tem acontecido.
Abraços querido.

Cores da Crise de meia idade! disse...

confesso, confesso e CONFESSO.....fui no Madame Satã uma única vez.....final dos 80....Quando ví uma gaiola pendurada no teto com um homem dentro dela, saí correndo de lá e nunca mais voltei!

Ma disse...

Queria ter conhecido o satã em seus tempos áureos. Hoje acho que simplesmente não vira e a única coisa que se mantém é o gostinho nostálgico do espaço

Bjs

Edu disse...

Lindo esse sentimento de libertação/liberação que você descreve. Não tive. Acho que o mais próximo disso é o que temos agora, nos nossos encontros. Mais um motivo pra eu adorar tanto.

Dan disse...

queria ter ido lá com vc. ehehe

Cara Comum disse...

O bacana é que mesmo a gente sabendo que não é exatamente o lugar o responsável pelo sentimento que ele gera na gente (e sim as companhias e as lembranças de um tempo), nós sempre nos recordamos com carinho de certos espaços.

Aqui em BH eu tive isso com o Matriz (que existe até hoje, graças a deus e ao capeta) e estou pensando em ir lá qualquer dia ter contato com o inferninho que fez minha adolescência.

Abraços!!