26/02/2010

Joker


Depois de fazer as 3 tatuagens ao quais postei aqui no blog, parti então para a quarta. Escolhi um desenho incrível feito por Lee Bermejo tirado de uma HQ fodaça chamada "Coringa", com texto de Brian Azzarello de "100 Balas". Os traços do cara, mostram um Coringa mais insano do que o normal.
Depois do desenho escolhido, estava na dúvida se fazia no braço esquerdo ou na canela. Nunca realmente pensei em fazer uma tatuagem na canela. Pelo que ouvia falar, a dor era insuportável. Comecei então a pesquisar no orkut e em fóruns sobre tatuagens, mas cada pessoa passa pelo processo da dor de forma diferente. Fui então com a cara e a coragem e resolvi, vou fazer na canela. Olha, dói muito! Dói pra caralho! Mas é a que mais chama a atenção das pessoas quando passo na rua. Ficou linda e segundo alguns, assustadora.
 
 

25/02/2010

Família


Tava lendo um post super bacana no blog Farelos & Sílabas sobre uns amigos que ele tem e que foram expulsos de casa por causa de sua homossexualidade. Achei bonito o gesto dos amigos que os acolheram e os ajudaram a passar por problemas que geralmente gays e lésbicas passam na vida. Felizmente tudo se resolveu, mas são raros os que sobrevivem a esse tipo de violência.
Ontem, conversando com um amigo do trabalho, estava falando sobre família. Ele ficou um pouco indignado por eu ter dito que eu sentiria mais a morte do meu companheiro do que de meus pais. Não é que eu não os ame, pelo contrário. Sou agradecido por tudo o que me deram e fizeram por mim. Mas eu já fiz minha família. Alexandre já é o que existe de mais importante em mim. No momento em que saí de casa para morar com ele e fizemos nosso contrato de união, eu vi que seria através dele que viveria minha vida. Meus grandes amigos e Alexandre são na verdade minha família. Pode não ser a do jeito que que meus pais sonharam para mim, mas é a que sempre está comigo em todos os dias, em todos os lugares e em todos os sentidos...

23/02/2010

O amigo...

Quando Melo e eu decidimos transar a três, uma das regras principais era a de não transarmos com conhecidos. Pelo fato de poder ficar complicado, já que a amizade poderia ir para o beleléu. Porém, um tempo depois que começamos a dividir nossa cama com outras pessoas, essa regra foi quebrada.
Foi com um cara que era muito meu amigo e que estudava comigo. Ele era casado, porém, tinha a palavra safado escrito na testa. Numa sexta-feira, após sair da faculdade, enchemos a cara num bar próximo e continuamos a bebedeira no meu apê. Chegando lá, continuamos bebendo e Melo se juntou a nós. Confesso não esperar para o que viria, já que não imaginava que poderia acontecer algo. Foi quando, no sofá, ele se virou para mim e perguntou se podia fazer uma brincadeirinha com Alexandre. Respondi meio que surpreso que não havia problemas, mas deixei claro que o que viesse a acontecer, que nada mudasse entre nós. Ele achou justo e continuou. Depois disso, foram horas e horas de chupação, abraços, apertos e punhetas. Acabou não rolando penetração já que o amigo quando colocava caimisinha, brochava. E sem camisinha, não rola.
Confesso que, mesmo sem rolar penetração, a coisa foi tão boa quanto. Acontece que ele tinha uma grande pegada e gostava de deixar sua marca.
Essa, foi a primeira de muitas. Com o tempo, ele foi ficando mais solto. Na segunda vez, já começou a beijar (e beijava muito bem), na terceira, começou a deixar-me aproximar de sua bunda, na quarta, eu já estava lhe fazendo cunete, sendo que na quinta, meu dedo já começava a lhe conhecer intimamente. Infelizmente, não o vemos há um ano e meio, e o que poderia vir a ser, ficou apenas na imaginação. Mas não tem problemas, sabemos o que ele foi para nós e o que fomos pra ele:  Uma deliciosa e inesquecível foda.

Fora, Peixe!


Quando a maior revista gay dos EUA também ajuda na campanha "Fora Dourado", é sinal de que alguma coisa tá muito errada aqui dentro.
Portanto, me junto aos meus amigos e abraço essa idéia aqui.

22/02/2010

Lá em casa

Gostaria de entender o processo de indicações dos prêmios Oscar. Deve rolar muito dinheiro vindo do estúdio para que filmes, diretores, atores e atrizes conquistem um espacinho naquela seleta lista dos melhores do ano segundo os membros da academia. Queria entender o por que de George Clooney ser indicado quando temos atuações tão incríveis quanto a de Ben Foster em "O Mensageiro" ou na minha opinião a melhor do ano e da carreira de Viggo Mortensen em "A Estrada". Claro, no caso de George, o filme "Amor sem Escalas" ajuda, mas o ator nada faz mais do que sorrir e jogar seu charme a cada milímetro da película. É algo tão absurdo quanto a ausência de Bruno Ganz quando este fez A Queda.
Aproveitando então que Melo eu  estamos completamente quebrados financeiramente, esse fim de semana não arredamos os pés de casa e vimos "O Mensageiro", "Um Olhar no Paraíso" e "A Estrada".

Em "O Mensageiro" Ben Foster e Woody Harrelson interpretam dois militares que tem como trabalho notificar as famílias sobre as mortes dos soldados em guerra. A cada cena, os atores brilham e despejam diálogos pesados e cortantes. Com muita câmera na mão, o diretor nos faz assistir a momentos dilacerantes da vida de alguém. Porém, assim como Will e o capitão Stone, não podemos fazer nada, apenas observar o sofrimento de alguém...calados.

Um Olhar no Paraíso está longe de ser um dos grandes filmes de Peter Jackson, porém está aquém das críticas negativas que vem recebendo. É um filme visualmente lindíssimo e sua história não deixa a desejar. As cenas em que toca Cocteau Twins e This Mortal Coil parecem ter sido feitas para os respectivos momentos. O único porém, talvez seja na duração. Se fosse menor, quem sabe o resultado poderia ser outro. Mas ainda sim, considero um belo filme. 

Finalizamos com "A Estrada", onde no futuro não há mais água, comida, florestas e os mares são estéreis. As pessoas precisam se proteger dos próprios semelhantes, já que alguns, se tornaram canibais. Nesse cenário apocalíptico, há o homem Vigo Mortensen e seu filho, que juntos procuram sobreviver enquanto vão aprendendo sobre os sentidos da vida. A interpretação de Vigo Mortensen é visceral! A cada súplica, cada lágrima, cada olhar é de uma entrega sem igual. Há tempos não vejo uma interpretação tão intensa. Um filme de tema difícil, porém recompensador em seu processo e em sua mensagem. Pra mim, até agora, o filme do ano.

21/02/2010

Multibosta

Não quero parecer um gay xiita, nem muito menos participar de uma ditadura GLS como os evangélicos adoram dizer, mas acho o multishow um dos piores canais de tv por assinatura que existem. São programas com meninos e meninas heterossexuais e burgueses que não acrescentam nada de interessante pra ninguém, nem para eles mesmos.

Prontofalei!

19/02/2010

Aos meus amigos...

Sexta-feira a noite, 18h30, marido tá com os amigos do trabalho enchendo a cara e eu aqui nesse apartamento...procurando o que fazer...procurando o que escrever. Totalmente sem idéias. 


Bem, são 20h30 e resolvi escrever sobre os amigos virtuais.
Lá pelo comecinho do orkut, entrei numa comunidade da série Melrose Place. Haviam algumas pessoas entrosadas por ali e procurei me juntar a este pequeno grupo. Com o tempo, a bicharada começou a se assumir e quando menos percebemos, já haviam pelo menos uns 10 out of the closet. Acabamos formando um seleto grupo de amigos gays, mulheres e homens héterossexuais. Algumas dessas pessoas, acabaram se tornando grandes amigos. Pessoas que amo e que fazem parte da minha vida, e quando possível sempre estão aqui em casa. São pessoas que também acolheram e foram acolhidos pelo meu companheiro Alexandre.
É pensando sobre esses amigos virtuais, que venho percebendo o quanto os blogs que leio e que me lêem vão se tornando também amigos. Há um espírito de coletividade e de companheirismo muito grande. Através de um blog, fui conhecendo outros, e estes também me conhecendo. É algo tão incrível e surreal que entre eles, há o Edu do Pampublikong que além de ter se tornado um leitor, há algum tempo, visitou meu apartamento com uns amigos que temos em comum. Pura coincidência.
Com o tempo, espero poder conhecê-los pessoalmente para que possamos continuar com essa deliciosa suruba literária.

18/02/2010

No Metrô


Ontem, ao voltar pra casa, encontrei meu companheiro no metrô Sé. Estava eu no vagão, em direção à República que é mais ou menos onde moramos, quando ele entra no mesmo vagão e se afasta em direção a outra porta. Ao perceber que ele não iria me ver, levantei do banco e fui ao seu encontro. A primeira reação natural que teríamos seria de trocarmos um breve beijo, como fazemos em casa, mas não o fizemos. Claro, com medo da reação dos passageiros. Lembrando que estávamos no vagão do metrô Sé, sentido contra-fluxo, que na verdade não chega a ser tão cheio, porém, nem tão vazio. Nosso diálogo ocorreu assim:

Eu: "Oi!" (acompanhado de olhos nos olhos e um sorriso carinhoso.)

Ele: "Oi! Tava pensando em te ligar para te encontrar no metrô República."

Eu: "Que legal! Assim podemos ir juntos ao mercado"

Ele: "Sim, vamos. Tá querendo me dar um beijo, né?"

Eu: "Eu tava pensando nisso"

Ele se aproxima e trocamos um breve e carinhoso beijo.
Provavelmente, alguém ali estava doido para dizer algo ou soltar um Ai-ai, pois era visível que 
algumas pessoas ao redor ficaram explicitamente incomodadas. 
Quando chegou na nossa estação, aguardamos a porta abrir e coloquei minha mão em suas costas num gesto de apoio e cumplicidade. E então, saímos bonitas do metrô.

"Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram."

Trecho de "Aqueles dois" de Caio Fernando de Abreu.

17/02/2010

Amor de mãe


"Aureliano, prometa-me que se você encontrar por aí com a hora difícil, você vai pensar na sua mãe".
 
Úrsula para seu filho Aureliano em "Cem Anos de Solidão".
 
Quando eu era mais novo, talvez pela distância que sempre mantive do meu pai por medo, minha mãe me acolheu como seu filho preferido. Toda a confiança que meus irmãos tinham com meu pai, não rolava comigo. Ser o filho do meio é difícil. Eu não recebia toda a atenção que a filha mais velha e ficava aquém do carinho recebido pelo caçula. Por causa disso, minha mãe sempre me protegia. Isso durou até meus 23 anos que foi quando alguém ligou em casa e resolveu explodir meu armário pra ela. Quando cheguei do trabalho, ela me puxou pela mão e me levou até meu quarto que ficava no piso superior. Quando chegamos, ela me olhou e disse que um ex amigo havia lhe dito que eu era gay. Minha resposta foi "Sim, eu sou". Na mesma hora, como se fôsse uma católica fervorosa, ela se ajoelhou e pedia pelo amor de Deus para que fôsse mentira. Dizia que meu pai iria nos deixar e me colocar pra fora. Eu entendo sua reação, afinal, seu irmão era gay e havia morrido em consequência da Aids. Eu podia simplesmente ter negado. Simples assim. Mas não podia mais mentir pra mim. Naquela noite, quando saía para ir à faculdade, ela me chamou e disse: "Vai com Deus" e eu assenti com um "Amém". No caminho, fui chorando. Ela queria continuar me protegendo de tudo de mal que na sua visão iria me acontecer. Naquela noite, acho que perdi minha mãe pra sempre. Voltei da aula diferente. Ela acabou se distanciando porque não queria ouvir sobre minha vida e três anos depois, fui embora e nunca mais voltei.
A despedida foi um tanto que dolorosa, pois meu pai foi quem mais demonstrou tristeza. Não que minha mãe não sentisse, afinal, ela sempre foi difícil de expor sentimentos.
 
A frase lá de cima, foi tirada de um dos meus livros favoritos "Cem anos de Solidão". Quando li aquela exata frase dentro do metrô, chorei e lembrei daquele "Vá com Deus" que minha mãe me disse no dia em que me assumi. Ela estava apenas sendo mãe, e assim como Úrsula, ela queria me proteger de um futuro que ela esperava vir me acontecer. Mas assim como Aureliano, felizmente até agora,  apenas algo aconteceu...eu apenas cresci.
 

12/02/2010

Third

 
Bem, essa é a minha 3ª tatuagem. O desenho do feto alienígena no centro foi tirado de uma banda ao qual sou apaixonado: o Sigur Rós. Essa tatuagem já devia ter uns 10 anos e queria fazer algo para completá-la, porém só depois de conhecer meu atual tatuador é que tive coragem. Ele expôs umas idéias de fazer algo que lembrasse vértebras alienígenas e quando mencionou o nome de H.R. Giger, topei. Afinal, foi o cara que criou o visual do Alien. Depois de uns rabiscos aqui e ali (ele fez tudo a olho), começamos o processo.
Mais uma vez, doeu pra caralho, mas pelo resultado final, faria tudo de novo.
 
 
Tava um pouco tímido em colocar as fotos aqui. Perceberam que não sou nenhum rato de academia, né?

Skins


 
No começo, escuro, algum ruido e de repente a cena abre e uma garota de uns 17 anos cheira sua carreira de cocaína enquanto aplica alguns resíduos na gengiva. A garota então caminha e entra num galpão onde alguns jovens se beijam, se drogam ao som alucinante de música eletrônica. Ela então sobe para o andar superior e fica em pé no corremão da escada. Os jovens abaixo assistem numa euforia sem igual quando a garota se joga e â camera acompanha sua descida. Com essa cena, a 4ª temporada de Skins estréia no canal E4.
Para quem não sabe, Skins é uma série inglesa sobre adolescentes que trepam, bebem e se drogam muito. Ela está em sua 4ª temporada, sendo que, os personagens da 1ª e 2ª já não participam mais.
Como aconteceu anteriormente nos seus respectivos segundos anos, essa nova temporada já nos mostra personagens mais maduros e histórias mais verossímeis. Caso continue com a qualidade desse primeiro episódio focado em Thomas, a temporada pode ser tão boa quanto a 2ª, na minha opinião, a melhor.

10/02/2010

Quem vê cara não vê rola

Depois daquela história com o 1º michê, Melo e eu nos catamos com mais alguns. Numa dessas vezes, caímos na tentação de escolher um fulano sem rosto. Daqueles que não querem que as pessoas saibam que ele vende o corpo e na foto do site, dá uma olhadinha para baixo ou coloca o boné. Pois então, resolvemos sair com um fulano chamado Francisco. Sujeito com um corpo perfeito, peito definido, bunda apetitosa e caralho, segundo as informações do site, de 23cm. Quando o puto tocou a campainha, nos demos com um homem de uns 30 anos não muito bonito. Quando o levamos para o quarto e fomos aos poucos despindo sua roupa, fomos apresentados ao sr. 23cm que segundo Alexandre, deveria ser maior. O cacete do puto era tão grande que, além do dito necessitar de uma camisinha extra grande, Melo não conseguiu fazer a passiva. É verdade que Francisco não era bonito como a bicha chequeira do nosso primeiro ménage, mas valeu cada centavo. 
Ao todo, foram 11 michês aos quais desfrutamos. Metade, diziam-se "héterossexuais", a outra, eram gays assumidos. Não há dúvidas de que o garoto de programa gay é muito melhor. Não só pelo fato óbvio dele também gostar de homens, mas pelo compromisso da profissão. E Francisco se enquadra no segundo grupo. Ele foi carinhoso, atencioso, divertido, fodedor e uma grande companhia durante a 1h30 min. que ficou conosco.

Nos ouvidos...

08/02/2010

The Devil in Paradise Circus

O Massive Attack nunca foi uma das minhas bandas favoritas. Eu gosto muito dos caras, mas não os considero excepcionais. Não acho que seus discos sejam obras primas, pois nunca aprecio ele como um todo. Porém, sempre há uma música que é perfeita em todos os sentidos. Pra mim, o Massive Attack funciona melhor em um "The Best of". Na semana passada, saiu o novo álbum chamado "Heligoland". Como mencionei, o disco é bom, e tem seus momentos, mas nada que me faça ouvir de cabo a rabo. Há participações de grandes artistas como Martina Topley-Bird, grande colaboradora do Tricky, de Damon Albarn do Blur e Guy Garvey do Elbow. Porém, a canção primorosa do disco vem de Hope Sandoval, ex Mazzy Star, numa voz doce e sussurada  que diz: "Oh where the devil makes us sin. But we like it when we're spinning in his grip." Essa música, além de viciante, tem um vídeo tão incrível quanto. Os caras foram buscar inspiração num pornô clássico dos anos 70. Pra quem tem mais de 30 anos, deve se lembrar de ter visto a capa de "O Diabo na Carne de Miss Jones" lá pela estante pornográfica de sua locadora nos anos 80.                                                                                                                            Além de depoimentos da protagonista Gergina Spelvin, o vídeo também tem algumas cenas do próprio filme. Portanto, se você for maior de 18, clique abaixo e veja um dos melhores vídeos de 2010 em uma das melhores músicas que o Massive Attack já criou. 





04/02/2010

No trabalho II


No trabalho, um grupo de amigos heterrossexuais e mais esse gay que vos fala ,estavam numa conversa animada, quando surgiu o assunto sobre a Playboy da mulher melancia. Todos, numa excitação sem tamanho, discutiam sobre a revista que todos apreciavam no vestiário masculino (eu que sou bunita e phynna não partilho do mesmo cômodo que eles, rs). Após o almoço, a conversa aconteceu assim:
Ele: Caralho, como a MM é gostosa, véio!
Ele1: Porra, eu tirava aquela calcinha e lambia todinha.

Imagine onde estava atolado essa bendita calcinha.

Ele2: Vou bater uma pra ela hoje.
Eu: Ela é gorda!

Todos ao mesmo tempo me olham e me xingam com palavras que até agora não consegui entender.
Onde trabalho, minhas duas chefes são super bacanas, então, depois do episódio em que me assumi, resolvi também participar desse movimento em que os funcionários masculinos aderiram e trouxe uma penca de revistas G Magazine, afinal, há também mulheres no recinto.
Comoção geral rolou por aqui. E a única coisa gorda que havia, eram as necas...

Necas grandes, gordas e pesadas. 

03/02/2010

Nos olhos...


Na segunda-feira, Melo me presenteou com o livro "1001 Discos para ouvir antes de morrer" escrito por cerca de 90 críticos musicais. Eles fazem um apanhado de 1001 discos lançados desde os anos 50 até 2005 com o que de melhor surgiu musicalmente desde o jazz ao punk. Além dos álbuns receberem críticas minuciosas, há também fotografias das capas originais, mais fotos dos artistas, frases ditas por esses, ano de publicação e descrição das faixas.
É um guia completo para quem gosta de música e é absolutamente viciante!
Você descobre o que esses críticos acham dos discos que você tem um carinho especial e ainda conhece clássicos que nunca ouviu. Comecei a ler e marcar os que mais me interessam para depois baixar e ouvir. Claro, não vou me atrever a resenhá-los como meu amigo Diego, do Câmera de Vigilância, que se propôs ver 365 filmes durante o ano, mas o que mais me agradar, coloco aqui no blog.

02/02/2010

Encontro de Gerações


Aqui em São Paulo há uma casa noturna chamada ABC Bailão onde o público alvo são homens com mais de 40 anos. Por ser um ambiente especialmente para os maduros, o local procura fugir do óbvio que impera nas outras casas. No Bailão, não há dark room, não há comanda, não há música alta, não há funcionários incapacitados e não há bichinhas blazé fazendo carão. As músicas, são um caso a parte, rola disco, bate cabelo, micareta, forró (pra quem não gosta como eu, é só ir pro ladinho e ficar bebendo cas amigas), samba de raiz e muito anos 80.
Uma das coisas que acabei observando, é como o ambiente muda numa casa dessas. Há pessoas de 20 a 70 anos. Muitos tiozinhos de óculos e cabelos brancos. Ali, não é vergonha alguma cantar Stevie B, Tina Charles e Charo a plenos pulmões. Não há barbies fazendo pose de bunita e tirando a camiseta. Também não precisamos ficar horas na fila para pegar uma bebida. Você simplemesmente encosta no balcão, pede seu drink, paga e vai embora. Tudo isso acaba evitando o estresse que é pegar fila para pagar comanda no final da noite. 
O romantismo também é mais vizível no Bailão, pois são homens que já passaram da fase de pegação. Podemos vê-los com seus ficantes ou companheiros, abraçados ou dançando juntos. Sempre dividindo olhares apaixonados e sinceros.
O ABC Bailão é definitivamente o lugar que eu quero continuar frequentando com meus amigos e com Alexandre. Um lugar onde idade nunca combinou tanto com a saudade...

01/02/2010

No trabalho...


Eu trabalho na área administrativa de uma indústria. Num ambiente onde mulheres e homens exercem suas funções em conjunto. Quando entrei aqui, há exatos 3 anos, procurei esconder minha orientação sexual para não sofrer com a discriminação que geralmente acontece nesse ambiente. Aqui existem operários, ajudantes gerais, ferramenteiros, encarregados, motoristas, entre outros. Aos poucos, fui fazendo amizades com pessoas que jamais pensei possível. Algumas dessas, aos poucos, fui contando que na verdade era casado com um homem e não com uma mulher como havia dito. No começo, é sempre a mesma reação. Alguns acham que estou pregando uma peça até mostrar uma foto do meu companheiro Alexandre.
Sempre fui muito esclarecido e ao mesmo tempo discreto com isso, até que há um ano atrás, um dos meus grandes amigos aqui dentro comentou que lhe perguntaram se era verdade que eu morava com outro homem. Acabei surtando com isso. Alguém deu com a língua nos dentes. Fiquei paranóico, pensando em quantas pessoas já deviam saber e comentavam a respeito. Nessa noite, meio que não dormi direito. Conversei com Alexandre, com minhas duas chefes e com o meu amigo. Assim como eu, todos concordavam que não devia nada a ninguém e que deveria me assumir antes que a notícia chegasse ao ouvido de todos. E foi o que fiz. No dia seguinte, conversei com algumas pessoas separadamente e contei a verdade. Todos disseram que em nada mudaria. Sei que é mentira, pois sabemos como funciona o preconceito de cada um. Agora, num clima de "igualdade", aprecio os homens bonitos que passam na rua. Falo abertamente do meu companheiro e quem estiver incomodado com isso que vá procurar outro lugar para ficar. Com o tempo, percebi que o momento foi certo. Não me importa a opinião dos outros, e sim daqueles que se gostam de mim. Esse processo de aceitação é difícil e complicado. Nunca sabemos como as pessoas vão reagir. Mas antes de ligarmos para a opinião dos outros, temos que nos rodear de pessoas que nos aceitam e saibam principalmente respeitar a diferença e o outro como ser humano.