Na quarta-feira, JD. Salinger, foi encontrado morto em sua casa pelo seu filho. Ele tinha 91 anos e escreveu o livro mais importante da minha vida.
Quando eu era adolescente, li pela primeira vez "O Apanhador no Campo de Centeio". Foi numa época que estava me descobrindo e tentando entender os sentimentos que eu estava passando. Toda a amargura sentida pelo personagem principal estava também acontecendo comigo.
O Apanhador no Campo de Centeio conta, numa narrativa em primeira pessoa, alguns dias na vida de Holden Caulfield (num jogo de palavras de JD Salinger: Holden, hold – agarrar - e Caulfield, field - campo), que acaba de ser expulso da sua terceira escola bem às vésperas do natal, nos EUA do pós-guerra. No decorrer do livro o anti-herói vai revelando acontecimentos do seu passado, sua família e seus conhecidos, ao mesmo tempo que se refugia em Nova Iorque sempre correndo dos problemas que arruma.
Holden não gosta das mudanças que estão ocorrendo em sua vida. Ao entrar na vida adulta, ele acaba percebendo que nada é como ele pensava... o vazio, a ganância e a falsidade das pessoas acabam deixando-o decepcionado e desiludido. É o fim da inocência que se aproxima, e ele precisa se acostumar com o fato de estar crescendo e ter que enfrentar a humanidade, mesmo descobrindo cedo demais que afinal, a humanidade não existe.
Um dos momentos mais belos do livro é quando ele se imagina em um campo de centeio cercado de crianças. Sem a presença de qualquer adulto que seja, a não ser, ele. Tudo o que deseja é não deixar as crianças (claramente simbolizando a inocência) irem para o lado errado, o lado do abismo (que pode-se entender como o lado obscuro da vida, ou seja, ser adulto). Holden só quer ser o apanhador no campo de centeio (referindo-se a si como o único que pode salvar as crianças de se aventurarem na hipocrisia do mundo).
Nos anos seguintes, li outros livros que me foram tão importantes quanto, porém, nenhum deles me fez enxergar o quanto mudanças também acontecem para coisas boas.


























