Tava eu lendo o blog do Redemoinho Anti-horário, ao qual o BHY indicou num dos seus últimos posts, falando sobre um caso de violência física que ele e o namorado sofreram há um tempo trás.
Nunca passei por algo parecido, mesmo tendo amigos que infelizmente, não podem dizer o mesmo. No meu caso, a situação foi psicológica mesmo. Lembro que eu fui doar sangue pela 2ª vez no hospital das clínicas, sendo que na 1ª, eu havia dito na entrevista ser heterossexual. Quando veio o resultado negativo, fiquei contente e disposto a fazê-lo sempre que possível. Nessa segunda vez, resolvi contar sobre minha verdadeira orientação sexual. Acontece que, a "profissional" que me atendeu só faltou me chamar de "passador de doenças". Ela, além de me acusar de poder ter contaminado alguém com meu sangue na remessa anterior, disse que eu era um grupo de risco. Mas falou tudo isso como se eu realmente fôsse culpado. Foi uma violência psícológica o que essa mulher fez comigo. Não consegui reagir, pois, eu ainda era um jovem imaturo e pensei que o errado fosse eu. Ela já estava me dando um diagnóstico sem mesmo ter tido meu sangue retirado. Ou seja, nós gays, ainda sofremos com o pré-conceito de que todos os gays são transmissores de doenças. Hoje, continuamos proibidos de doar sangue. Continuamos sendo vistos como grupo de riscos. Ainda temos um caminho duro a percorrer, mas não podemos desistir.
Aos 32 anos ainda não esqueci daquele dia, mas vejo, que a maior doença era a ignorância, não minha, e sim de alguém que deveria estar salvando vidas.



















