10/02/2012

Scott Pilgrim Contra o Mundo

Quarta-feira, terminei de ler os três volumes de Scott Pilgrim Contra o Mundo de Bryan Lee O'malley. Declaro que essa leitura foi para mim uma experiência bastante divertida. A HQ, é puro entretenimento e cheia de cultura pop. Há referências musicais e principalmente sobre o mundo dos video games.
Scott é um garoto de 24 anos sem qualquer estimativa sobre a vida e trabalho. Mora com seu melhor amigo gay Wallace, tem uma banda meia boca com dois fãs apenas e é apaixonado por Ramona, garota descolada que trabalha como entregadora na Amazon Canadense. O problema é que para ficar com Ramona, Scott precisa derrotar os 7 ex namorados do mau dela. Daí pra frente as influências sobre os games dominam os três volumes. Numa espécie de mestres para cada fase, Scott vai literalmente à luta pelo amor de sua amada e nesse caminho, se econtra com save points, vidas extras, troféus para cada feito realizado, armas extras, entre outras coisas. O problema de Scott Pilgrim, a HQ, é que os desenhos são todos em preto e branco e as vezes, confunde o leitor juntamente com o o excesso de personagens que são muito parecidos uns com os outros. Até você se acostumar com todos eles, você já deve estar no 2º volume. Tirando isso, Scott Pilgrim Contra o Mundo é o quadrinho perfeito para quem quer ler algo despretencioso e divertido.

09/02/2012

(I) Nearly Lost You

Hoje em dia eu tenho uma bagagem musical toda dos anos 80, mas minha adolescência foi toda curtida nos 90. Época do grunge, das camisas flaneladas, Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Screaming Trees e Nirvana. Eddie Vedder nunca mais fez um álbum como Ten, Scott Weiland quase morreu, e o grunge morreu quando Kurt Cobain se matou. Foi uma época boa para ser um adolescente. Smells Like Teen Spirit tocava no meu aparelho de som quase no último volume, mas minha adolescência ía embora assim como a velocidade da música. Foi então que a idade adulta chegou e já não me importava com a raiva cantada nessas canções. Agora eu queria a calmaria que a maturidade desperta no homem e por isso, comecei a buscar músicas que falavam diretamente comigo. A busca era intensa até ouvir Mark Lanegan. Os Screaming Trees nunca me foi tão apreciado, com excessão de Nearly Lost You. Pelo menos até o momento que eu voltei a ouvi-lo quando sua parceria com Isobell Campbell ex Belle and Sebastian tocou no meu aparelho. Foi uma enorme e agradável surpresa no ano de 2006. Nunca pensei que a voz suave e doce de Isobell funcionasse tão bem com o blues grave e sofrido de Lanegan. Era como se eles fôssem um casal e através da música, expressassem seus sentimentos, fazendo desse o disco mais incrível do ano. Com o tempo, vieram mais dois álbuns, na minha opinião, não melhores que o primeiro. Porém, Mark Lanegan merecia uma outra chance. E eis que na semana passada, coloquei para tocar seu novo disco Blues Funeral, e mais uma vez, me surpreendi. Lindo, do começo ao fim. As vezes triste, outras alegre. As vezes acústico, outras, flertando com o eletrônico, mas com uma qualidade nos acordes, nas letras e um sofrimento digno de um autêntico blues man.


08/02/2012

Drei


Tom Tykwer apareceu para o mundo com seu Corra Lola Corra. Logo depois, surgiu com uma história de amor não convencional no delicado A Princesa e o Guerreiro (meu favorito). Foi ao céu com o simples e belíssimo Paraíso  e dirigiu a adaptação do fodástico livro O Perfume. Com uma carreira tão eclética, o diretor chega aos cinemas com Triângulo Amoroso (Drei no original). A história, fala de um casal (homem + mulher) que começa a se relacionar com um terceiro homem, porém, sem que qualquer um tenha conhecimento do fato. Dirigindo com enorme maturidade, ele conduz a história sem escolher quaisquer lados ou apontar quem está certo ou errado nesse adultério . As pessoas ali só estão a procura de carinho para cubrir a carência que tanto sentem e se afastar da morte que sempre os estão cercando. O próprio objeto de desejo do casal, Adam, é alguém que também está à procura de amor.
Mesmo com uma história simples, sem as peripécias com a câmera , Tom Tykwer nos apresenta momentos silenciosos e longos intercalados por várias cenas editadas e que são lançadas na tela para mostrar as passagens de tempo dos personagens principais. Diálogos são ditos e interrompidos por uma canção enquanto suas vidas passam por esse turbilhão de sentimentos quando repentinamente suas vozes podem novamente serem ouvidas, mas quem sabe compreendidas.

02/02/2012

The Boy With The Thorn In His Side

Na semana passada, fiquei sabendo através de um colega da época de escola, que a esposa do meu ex melhor amigo e primeiro amor havia tido gêmeas. Não sei se recebi bem essa notícia. Não porque eu ainda sinta algo por ele, afinal, isso foi quando eu tinha 16 anos, mas porque percebi que esse colega que me informara continuou sendo o amigo que eu queria ter sido. Depois me bateu aquele desejo enorme de que tivéssemos aqueles costumes americanos em que reencontramos os amigos de outrora para ver como andaram levando suas vidas. Adoraria revê-los. Não por que eu sinta falta, mas para mostrar o meu novo eu. Tá, não é só isso. Queria vê-los gordos, carecas, burros, alcóolatras e casados com mulheres igualmente gordas, problemáticas e cheios de filhos. Queria que eles vissem quem me tornei. Que vissem as tatuagens que colorem meu corpo e o que cada uma fala sobre mim. Queria que soubessem que eu não sou mais aquele garoto medroso e o que na verdade eu sempre procurei não foi o ódio e sim o amor.

30/01/2012

Os Homens que não amavam as mulheres

Sexta-feira Melo e eu fomos finalmente ao cinema. Dessa vez, fomos assistir a "Os Homens que não amavam as Mulheres". David Fincher, é um grande diretor. Desses que basta seu nome nos créditos para atrair público. Mas confesso não andar muito entusiasmado com sua carreira como antes, já que o diretor possui em sua carreira altos e baixos. Não que Millenium seja ruim, pelo contrário, é um grande filme. Mas algo ali não funciona direito. Talvez seja porque a narrativa do livro de Stieg Larsson seja muito boa, mas a história em si, não tenha nada de espetacular. É como se o livro já viesse em forma de roteiro.
O acerto de David Fincher foi não americanizar os acontecimentos e mantê-los na Suécia. O frio e o clima são exatamente como descritos no livro. Outro ponto forte, é a exclusão das partes chatas que há no livro e ir direto aos acontecimentos que realmente merecem destaque. Mas David Fincher, já chamado de misógino por causa de seus outros filmes, colabora ainda mais com esse perfil. O livro/filme em si já degrada a mulher até em seu título, mas o diretor não poupa em mostrar a nudez de Lisbeth Salander sempre que pode, enquanto Mikael, papel de Daniel Craig, é sempre ocultado pelo corpo da hacker. Inclusive no grande ápice do filme, SPOILER em que no livro, Mikael têm suas roupas completamente arrancadas e ainda recebe um beijo do(a) assassino(a) foi excluído da nova versão. Fim do SPOILER.
Lisbeth Salander também teve uma pequena mudança em suas características mais para o final do filme. Percebe-se um certo estado de paixão pelo personagem, enquanto no livro, mesmo quando Lisbeth percebe que pode sim sentir algo por Mikael, ainda há aquela máscara fúnebre que cobre sua personalidade. Mas enfim, são detalhes que não estragam a diversão do filme. O elenco está absolutamente incrível, com destaque para Rooney Mara. A trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross, funciona muito bem com ruídos e sons sombrios unindo perfeitamente à fotografia causando ainda mais impacto. Não é o um dos seus melhores filmes mas ainda sim, um menor David Fincher, ainda é melhor que muita coisa em cartaz.

23/01/2012

Sobre Shigeru Umebayashi e outras coisas da arte.

Edú, Régis e eu conversávamos (gritávamos?) no dia do show da Zola sobre cinema e estava lhes contando o quanto gosto de cinema independente. Pode parecer um pouco arrogante da minha parte, mas o cinema chamado de arte é o que mais me emociona diretamente. Não que eu não goste de blockbuster, eu gosto, mas nos filmes menores, há sempre os detalhes, o silêncio, as cores, a música e os sentimentos me parecem mais intensos e verdadeiros.  Por exemplo, em Amor à Flor da Pele, há sempre uma música acompanhando cada cena e os diálogos que em qualquer outro filme seria dito de maneira comum, em Amor à Flor da Pele, ele é falado através dos tangos e boleros, cujos sentimentos são claramente sentidos pelo casal de protagonistas.
E ainda há a intensidade e beleza de Maggie Cheung, desfilando seus 46 vestidos em slow motion enquanto sua canção tema é tocada como se fôsse uma valsa e Shigeru Umebayashi, seu magnífico maestro.

20/01/2012

Clash of Zola

E ontem fomos ver Zola Jesus no Clash Club. O show aconteceu exatamente na hora em que uma chuva torrencial caía sobre São Paulo e talvez por isso, a casa estava com menos da metade de seu público. O show foi simples, porém, lindo. Zola possui um vozeirão e canta tudo ao vivo. Estávamos os três: Régis, Edú e eu encantados com o poder hipnótico que a música e a própria Zola proporciona. E a noite, apesar da chuva, foi ótima! Reencontrar os amigos, beber e conversar sobre livros, séries, filmes e claro, música, é o que nos faz sair numa quinta-feira tempestuosa, véspera de trabalho e ainda nos sentirmos muito bem.